A Nova Praça Roosevelt

 

Na década de 50, a praça era ponto de encontro de expoentes da Bossa paulistana. Ali, no antigo bar Djalma’s, Elis Regina estreou na cidade em 1964.

A Roosevelt ganhou as formas atuais em 1970, reinaugurada pelo general Médici, inicialmente, ela nem poderia ser considerada uma praça. Não havia muitas árvores, apenas muros e concreto numa área de 30 mil metros, o que fazia o local ser pouco movimentado e inseguro. O lugar foi alvo de críticas desde o seu nascimento e por muito tempo a Praça Roosevelt foi deixada de lado, e apenas em meados de 2000 ela voltou a ser pauta da administração pública municipal.

Iluminação e reformas no jardim foram algumas mudanças que a praça sofreu e,  graças a instalação das companhias de teatro nos últimos  anos a reputação da região mudou para melhor.

Tudo começou com a chegada do grupo teatral Satyros, em 2000, seguido por companhias como Teatro do Ator, Studio 184 e Espaço Parlapatões. Instalados no entorno da praça, estes palcos um dia gravitaram o Teatro Cultura Artística. Mas após o incêndio de agosto de 2008 que o destruiu quase que por inteiro, poupando por milagre apenas o histórico afresco de Di Cavalcanti na fachada, os antigos satélites ganharam brilho próprio.

A igreja Nossa Senhora da Consolação é visita obrigatória para os religiosos ou apreciadores da arquitetura gótica. Já os profanos devem conhecer o PPP (Papo, Pinga e Petisco: o antigo Djalma’s) e sua decoração bossa-kitsch, além dos cafés do Satyros e do Parlapatões.

Os bares ao redor dos teatros deixam a praça mais acolhedora e com um ar de descontração  . Mesas e cadeiras espalhadas pelas calçadas, música e muita conversa são cenas vistas diariamente pelos milhares de paulistanos que por ali orbitam, desde crianças, trabalhadores, artistas de teatro, travestis, boêmios, intelectuais etc.

Gradativamente, o mercado imobiliário vem crescendo e isso mostra a valorização da região ,e para acompanhar esta evolução e fazer da Roosevelt um espaço de convívio com segurança, a armação de concreto da praça Roosevelt, vai ser demolida.

O projeto da revitalização do local elaborado pela Emurb (Empresa Municipal de Urbanização), prevê colocar árvores e bancos no lugar dessa marquise – uma forma de incentivar a circulação e a ocupação do lugar pelos paulistanos.

A praça deve ganhar um posto policial em local estratégico, pois segurança é um tema delicado ali. Em dezembro de 2009, o dramaturgo Mario Bortolotto e o cartunista Henrique Figueroa, mais conhecido como Carlos Carcarah, foram baleados durante um assalto ao teatro e bar Parlapatões. Bortolotto ficou internado em estado grave e sobreviveu. Ambos fazem parte de um grupo que há muitos anos luta pela revitalização da praça.

Todos concordamos e reconhecemos que o local precisa de uma revitalização há anos.

A Praça Roosevelt que aguardadamos com muita expectativa, terá muitas árvores e um caminho feito de placas de concreto circundadas por canteiros e bancos. Uma luminária para cada 15 m², com altura menor do que as copas das árvores para não fazer sombra, deve permitir o uso do local inclusive à noite. As árvores serão em sua maioria de pequeno porte. Além do posto policial, existe a previsão da instalação de câmeras de segurança, segundo a Emurb.

Existe uma proposta em discussão na prefeitura para moradores e trabalhadores das imediações participarem da administração da Roosevelt.

Mas isso é assunto para um outro post.

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Uma resposta em “A Nova Praça Roosevelt

  1. A Praça Roosevelt é um edificio de 5 andares sobre uma via expressa. Foi a forma encontrada para cobrir o imenso buraco de 250 mil m3 que a construção da Ligação Leste-Oeste, projeto de 1954, iria provocar. Resultou num complexo urbanistico que funcionou algum tempo, com estacionamentos, serviços públicos e as vias subterrâneas. Hoje, do que restou, ao nível da superficie, os usuários demonstram gostar: está com os horários todos programados. A população gosta da “Praça”.

    Esse edificio foi concebido e construido por Faria Lima, que prometeu devolver aos feirantes o espaço que tinham tradicionalmente aos sábados, assim como o estacionamento nos demais dias da semana. Paulo Maluf, que o inaugurou, não gostava de feirantes e transformou o espaço a eles destinado em um desajeitado supermercado, que ali funcionou por décadas, distorcendo todo o arranjo previsto. A feira ainda acontece – na rua.

    É inegável que qualquer edificio abandonado, sem limpeza, sem iluminação, vira covil de ratos, aranhas e marginais. Como aconteceu há tempos com a marquise do Ibirapuera, com o Jardim da Luz e tantos outros lugares publicos abandonados. Se a “reforma” não criar a manutenção necessária, tudo ficará como agora, no curto prazo. As árvores e a vegetação, que continuarão a serem plantadas em caixas sobre o concreto (exatamente como no projeto original), vão exigir atendimento, irrigação, adubo e cuidado.

    O que não se explica nesses 40 anos todos é a indiferença da prefeitura, que até poderia autorizar, ou licitar, uma administração local, independente, com um conselho local, de moradores e usuários. Uma licitação de arrendamento: apareceriam centenas de interessados! Derrubar milhares de metros quadrados de caríssima construção de grandes vãos em nome de preconceitos para que alguns grupos financeiros faturem lucros é absurdo e aumentará o caos no entorno do local.

    Há de fato muito preconceito, dirigido de forma doutrinária e confusa. Se fosse um livro já teria sido queimado. É preciso lembrar aos inimigos da ditadura que a Roosevelt foi concebida na ultima prefeitura legitimamente eleita de SP antes da ditadura militar, a de Faria Lima. Tem inumeros espaços destinados ao público, todos adaptáveis a novas funções. A critica da intelectualidade conservadora é cheia de descaso, pricipalmente pelo suado dinheiro público (suado pelo contribuinte, é claro) e descaso pela verdade, pois qualquer edificio abandonado vira covil de marginalidade em pouco tempo. Até o Copan quase chegou aí, quase se transformou num São Vito ou num Edificio das Nações, mas hoje é patrimonio cultural, tombado pelos intelectuais, os mesmos que não conseguem compreender conceitos elementares de administração e vitalização de espaços públicos.

    Paulo Maluf e seus comparsas nunca foram capazes de produzir um só pensamento de utilidade publica e deformaram seu uso (fizeram até uma boate!) e criaram muitos problemas. A feira ainda ocorre, mas na rua lateral! Isso só demonstra a incapacidade de coordenação da prefeitura, mesmo nos dias de hoje. Na verdade e apesar das Emurbs e Cogeps as secretarias municipais são feudos politicos incomunicáveis, e a Praça precisa da ação coordenada de pelo menos dez secretarias.

    E além de tudo, demolir o Pentágono é uma ação de extremo perigo, pois a estrutura só tem UM unico pilar fixo, o central (TODOS os outros são articulados em coxins). Se estourar isoladamente UMA viga do teto o conjunto todo desaba em cima da laje do estacionamento, que pode ir caindo até chegar na Via Leste Oeste.

    Esse desperdício de dinheiro em destruir poderia ser muito melhor empregado em pintura, conservação, ajardinamento, contratação de pessoal e implantação de uma zeladoria responsável. São Paulo já tem muitos exemplos de bom senso prático, seja nas adaptações de velhas fábricas, gasômetros, ou até sobras de terreno transformados em pequenas praças, em vez de depósitos de lixo e imundicie.

    Miro Dupas, arquiteto
    mirodupas@yahoo.com.br

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