Ibirapuera vira jardim de casas de luxo

Fonte: Folha de São Paulo, Vinícius Queiroz Galvão, 23/abr

 
                                                              Parque do Ibirapuera, foto grafia de Jefferson Pancieri.

 

Levou 57 anos para que vizinhos do parque Ibirapuera, inaugurado em 1954, no quadricentenário de São Paulo, percebessem a vista privilegiada da janela de casa. Uma solução simples, o envidraçamento das fachadas voltadas ao bosque, fez com que a área verde de 1,5 milhão de metros quadrados virasse o jardim de algumas casas de luxo, valorizando ainda mais o que já valia alguns milhões de reais.

A localização das casas já é um privilégio. Construídas na avenida República do Líbano, o conjunto de 14 imóveis avança na direção do mais importante e famoso parque urbano da cidade.

São as únicas assim ao longo da via. As demais estão todas no lado oposto, separadas do parque pela avenida.

A novidade começou há alguns anos quando a agência de publicidade F/Nazca mudou-se para lá.

Em dois tempos, os vizinhos começaram a copiar o conceito de integração ao parque com projetos de vidro na fachada. Dessas 14 casas, sete já se envidraçaram.

Hoje, algumas delas foram além e trocaram os muros de concreto por lâminas de vidro para que até o quintal seja uma continuidade da área verde do parque.

“A nossa única preocupação era com a privacidade.

Quando queremos preservar a intimidade, fechamos as cortinas das paredes de vidro”, afirma a empresária Vitória, dona de uma das casas no parque e que pede para não divulgar seu sobrenome.

Autor do projeto de reforma interior da primeira casa envidraçada, o arquiteto Isay Weinfeld diz não ter percebido essa tendência no Ibirapuera e que a iniciativa deve ser encorajada em outras regiões da cidade, como no parque da Aclimação.

“A relação com o parque é inusitada em São Paulo e deve ser incentivada. A vista é maravilhosa”, diz Weinfeld.

Segundo a agência precursora no envidraçamento das casas, o projeto foi pensado de forma a integrar os ambientes e criar uma sensação de bem-estar no trabalho.

Quem passa pelo parque compara as casas ao Big Brother. “É tudo de vidro, como na TV. Olha aquela moça lá tomando café da manhã. Dá até para ver que ela está tomando iogurte”, diz a professora Ana Lúcia Pimentel, que corria no parque.

Entulho do São Vito vai virar base para asfalto na periferia

Restam só uns poucos andares dos edifícios São Vito e Mercúrio em pé, e a paisagem no lugar já mudou. Do Mercado Municipal, em frente, já se pode até avistar o Brás e parte da zona leste.

Mas os restos de demolição dos treme-tremes vão chegar mais longe, tão longe quanto ao Jaçanã, bairro do extremo norte de São Paulo.

É que as 60 toneladas de entulho geradas com a derrubada dos prédios -onde chegaram a morar mais de 3.000 pessoas- serão usados na pavimentação de 30 km de vias da periferia, em que o chão ainda é de terra batida.

Bairros como Perus e Freguesia do Ó (zona norte), São Mateus e Guaianases (zona leste), Cidade Ademar e Campo Limpo (zona sul), e Butantã (zona oeste) receberão os restos da demolição.

O entulho, depois de separado de materiais como vergalhões de ferro e portas, vai servir de base para o asfalto, substituindo a pedra britada.

A prefeitura estima poupar R$ 3 milhões na pavimentação dessas vias pela redução de 30% nos custos com material. A demolição custou cerca de R$ 4 milhões, aí incluída a trituração do entulho.

A demolição dos edifícios integra projeto de revitalização da região central. No local, a prefeitura prevê um anexo do Mercadão, com uma escola de gastronomia.

Estuda-se ainda construir uma garagem subterrânea. As vagas de estacionamento são aguardadas ansiosamente pelo pessoal do Mercadão.

“Já pensou um passarela direto do estacionamento para cá?”, sonha Carlos Machado, 58, do Frutas Mazzeto.

“Os dois estacionamentos que a gente tem no mercado acabam sendo usados pelo pessoal que vai na 25 [de Março] fazer compras. Então não comporta todo mundo”, reclama Fábio Mendonça, do empório Família Mendonça.

Segundo os comerciantes, os clientes se queixam da falta de vagas e do preço dos estacionamentos da região; a hora chega a custar R$ 15.

Colaborou Vanessa Correa

 

 

 

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