Carteiras imobiliárias devem girar R$ 1 bi na bolsa em 2011

Fonte Valor Econômico,
Ana Luísa Westphalen,
19/mai/2011.

BM&FBovespa quer aumentar acesso de investidores e liquidez de cotas com criação de índice para o setor e formador de mercado. 
 Em ritmo acelerado, os fundos de investimento imobiliários devem bater a marca de R$ 1 bilhão em volume de negociação na bolsa de valores até o fim deste ano. A projeção é do diretor de Desenvolvimento e Relações Institucionais da BM&FBovespa, Emilio Otranto Neto.

Até abril, o volume negociado já alcançava os R$ 230 milhões. Com isso, a perspectiva é de que os negócios facilmente superem este ano os R$ 379 milhões verificados durante todo o ano passado. De acordo com Otranto, o crescimento dos negócios vem sendo puxado pelo investidor pessoa física, que fomenta o giro dos ativos e, em menor proporção, pelo institucional, que busca diversificar sua carteira.

A participação do investidor de varejo correspondeu a 71,6% do valor total emitido em fundos imobiliários no ano passado, o que chamou a atenção da bolsa, segundo o diretor. Essa popularidade pode ser, inclusive, usada pela BM&FBovespa para ajudá-la em sua meta de alcançar cinco milhões de investidores pessoa física até 2015.

Atualmente, há 113 fundos imobiliários registrados na Comissão de Valores Mobiliários (CVM), sendo 51 listados na bolsa, com um patrimônio líquido total de R$ 9,7 bilhões. Um valor muito pequeno em relação ao potencial que existe para o mercado de crédito imobiliário, na avaliação de Otranto Neto. “Hoje, no Brasil, temos algo como 4% do PIB [Produto Interno Bruto] investido no segmento imobiliário e a Caixa Econômica Federal tem uma estatística que diz que em 2015 devemos ter 10% do PIB no mercado imobiliário”, afirma.

Por meio dos fundos imobiliários, os investidores ganham com a locação, arrendamento ou alienação de ativos que integram as carteiras, sendo a maior parte delas lastreadas em imóveis comerciais. Os rendimentos para pessoa física são isentos de Imposto de Renda (IR). No caso de ganho de capital com venda de cotas, contudo, há retenção de 20% de IR na fonte para qualquer tipo de cotista.

As principais vantagens em relação à aquisição direta de imóveis são o investimento inicial mais baixo, a maior liquidez e a possibilidade de diversificar a carteira comprando cotas de imóveis em diferentes regiões, por exemplo. Assim como no caso das ações de companhias abertas, as cotas desses fundos podem ser negociadas na bolsa.

Para atrair mais investidores, um próximo passo, segundo o diretor da bolsa, é tornar o preço de emissão da cota mais acessível, o que deve ocorrer com o aumento dos investimentos em imóveis via mercado de capitais.

Outro desafio é o desenvolvimento de um mercado secundário mais ativo e líquido. Ele acredita que o patamar de operação de emissão que garantiria uma “liquidez ideal” no mercado secundário seria em torno de R$ 200 milhões. Mas hoje a média das emissões está entre R$ 40 milhões e R$ 50 milhões.

Para fomentar a liquidez das cotas, Otranto está estimulando os fundos a contratar um formador de mercado, agente responsável por manter constantemente certo número de ofertas de compra e venda de cotas na bolsa Além disso, a bolsa iniciou conversas com a Fundação Getúlio Vargas (FGV) para a criação de um índice para monitorar a rentabilidade dos fundos imobiliários.

Futuramente, o plano é criar um fundo com cotas negociadas em bolsa (ETF, na sigla em inglês) atrelado a esse índice, numa tentativa de buscar maior liquidez para o ativo. Não há previsão, contudo, de quando o índice deve ser lançado.

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