Even avalia emissão de CO na construção civil

Fonte: Brasil Econômico,
Martha San Juan França, 19/mai/2011

Construtora se baseia em normas internacionais para desenvolver programa local que será divulgado a outras empresas com objetivo de contribuir para adoção de novos parâmetros

A proposta de construções sustentáveis começa a ganhar espaço no segmento da engenharia civil. Projetados para economizar água e energia, reduzir o volume de entulho, utilizar material reciclável a um custo de manutenção ainda não tão baixo, edifícios ganham selos verdes que atestam a intenção de seus projetistas e moradores. Outras iniciativas menos visíveis demonstram que a caracterização da sustentabilidade pode ser ainda mais ampla. A Even Construtora e Incorporadora, uma das maiores do país, criou um programa voltado à redução de emissões de dióxido de carbono (CO2), como parte do esforço para redução dos gases responsáveis pelas mudanças climáticas do planeta.

O esforço não é trivial. “A construção civil tem algumas pecularidades, como os longos ciclos de produção e diferentes estágios de obras. Por isso tivemos de desenhar um método que refletisse a dinâmica do segmento”, diz Silvio Gava, diretor técnico e de sustentabilidade da empresa. Demorou dois ano para chegar ao índice de tonelada de CO2 equivalente (refere-se ao dióxido de carbono e outros gases do efeito estufa) por metro quadrado construído.

Para fazer este cálculo, foi preciso avaliar não só as emissões da obra mas dos insumos, como cimento, aço, madeira de cada empreendimento. Três obras serviram de parâmetro para esses valores que seguiram as especificações do GHG Protocol, a versão brasileira da metodologia mais utilizada internacionalmente para medir as emissões de gases de efeito estufa em empresas. A partir desses dados, a construtora desenvolverá um plano para reduzir suas emissões de carbono. A proposta é disponibilizar essa metodologia para todas as construtoras interessadas. “Pensar em redução de emissões em projetos isolados não faz sentido quando tratamos de questões ambientais como a sustentabilidade”, afirma Carlos Terepins, presidente da Even. “Nossa intenção não é usar a sustentabilidade como instrumento de marketing de curto prazo da empresa. A proposta é muito mais ampla e diz respeito a todos os aspectos de um empreendimento e do setor.”

Terepins acredita que a adoção de um programa socioambiental é um processo lento e ainda engatinha entre as incorporadoras. Por isso a sua proposta de fazer a ferramenta de redução de emissões acessível a todos. “Achamos que é uma iniciativa cidadã porque abre a possibilidade e convida as empresas a partilhar do esforço para redução dos impactos das construções no planeta.”

Segundo o diretor de sustentabilidade da Even, a mobilização deve ser tratada com urgência devido aos longos ciclos das obras. ” Qualquer atitude no sentido das reduções que visem alterações de processos construtivos somente serão sentidas após dois ou três anos e, portanto, muito próximos aos compromissos dos acordos referentes às mudanças climáticas, que têm como metas o ano 2020″, diz Gava. Ele explica que a complexidade é maior considerando-se que a quase totalidade das emissões está ligada aos produtos utilizados e ao transporte de materiais, portanto, depende de acordos com os fornecedores.

“É preciso mudar a forma de fabricar materiais e construir”, afirma o engenheiro. “Existem várias possibilidades de insumos da construção civil que podem ser economizados ou modificados, como o cimento, que pode reduzir suas emissões com a adição de matérias-prima que reduzam a participação do clínquer na produção de cimento.” Outra forma de agir, é a exigência de certificação da madeira, evitando o desmatamento da Amazônia, a maior fonte de emissões do país.

Proposta chama a atenção de empresas e consumidores

Aos poucos, são divulgados nas grandes cidades brasileiras anúncios de prédios que reaproveitam a água da chuva, promovem a reciclagem de lixo e utilizam energia solar. É uma forma de chamar a atenção dos compradores que se preocupam com o ambiente e a sustentabilidade de suas ações. Aos poucos também se dissemina a proposta dos selos verdes – os mais conhecidos sendo o Leed (Liderança em Energia e Projetos Ambientais, na sigla em inglês), e Aqua, da Fundação Vanzolini, além do Procel Edifica -, para reduzir o consumo de energia e as especificações da Caixa Econômica Federal para concessão de financiamento. “Do ponto de vista comercial, edifícios com área verde, registro individual de água, lâmpadas led, também são mais valorizados”, afirma Francisco Vasconcellos, vice-presidente do Sinduscon-SP. “Mas a preocupação ambiental vai muito além de tudo isso e deve estar presente desde o momento de pensar o projeto.”

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