Miami renasce e atrai investidor brasileiro

Fonte: Valor Econômico, 03/jun

Ocupação de imóveis no centro da cidade estimula criação de negócios.
 
Quando o mercado imobiliário dos Estados Unidos entrou em colapso, cinco anos atrás, o centro de Miami logo se transformou num símbolo dos excessos do boom do setor de construção. Torres novas e cintilantes vazias em sua maior parte.

Essas torres estão agora sendo ocupadas mais cedo que o previsto. Os novos ocupantes, na maioria das vezes inquilinos, estão estimulando a abertura de restaurantes, bares e lojas. As ruas, que antes eram o retrato da desolação no fim de um dia de trabalho, agora estão cheias. “Poucos anos atrás, era impossível alguém andar por aqui sem a companhia de um cachorro ou uma arma”, diz William Rickey, um advogado que vive no Central Business District, enquanto janta em um novo bistrô. “Agora isso aqui está cheio de vida.”

Um relatório divulgado em fevereiro pela Miami Downtown Development Authority constatou que 85% dos novos condomínios, aqueles construídos desde 2003, estão ocupados, ante 74% em 2010 e 62% em 2009. A população residencial do centro da cidade agora é de cerca de 70 mil habitantes, comparada a 40 mil dez anos atrás. Outras 10 mil pessoas deverão se mudar para a região até 2014, segundo a Development Authority.

Projetos novos e ambiciosos estão a caminho. Em abril, a Swire Properties, de Hong Kong, anunciou planos para o Brickell CitiCentre, um empreendimento de 465.000 metros quadrados com hotel, apartamentos, torres de escritórios e estabelecimentos comerciais. As obras deverão começar no ano que vem. Na semana passada, a Genting Malaysia Berhald, de Kuala Lumpur, na Malásia, anunciou um acordo para a compra de 56.656 metros quadrados na orla marítima de Miami.

A companhia pretende construir um complexo com restaurantes, espaços de entretenimento e, se a legislação da Flórida autorizar, um cassino. “Jamais imaginei que a coisa seria tão vibrante quanto está hoje”, diz Andres del Corral, um corretor imobiliário de 30 anos que se mudou para a área há três anos.

Não está claro se o ímpeto de Miami terá prosseguimento, levando à cidade que nunca dorme sonhada por aqueles que lutam para revitalizar o centro. A taxa de desemprego de 13,2% do Condado de Miami-Dade, o segundo maior de um estado que foi duramente atingido pela recessão, continua sendo um problema para a economia local. E a região segue se recuperando da crise das execuções de hipotecas. “Na superfície, o mercado [do centro] parece estar se saindo muito bem”, afirma Glenn H. Gregory, vice-presidente sênior da corretora de imóveis comerciais John Lang LaSalle. “A questão é se isso será sustentável.”

No âmbito nacional, o setor imobiliário residencial continua sofrendo. O índice S&P/Case-Shiller mostra que os preços das moradias caíram 4,2% no primeiro trimestre. A área metropolitana de Miami esteve entre as 12 onde os preços caíram aos níveis mais baixos no atual ciclo imobiliário. Partes do Condado de Miami-Dade continuam, no geral, apresentando algumas das maiores taxas de execução de hipotecas do país.

Muitos compradores são investidores que pretendem em algum momento se desfazer das propriedades, segundo afirma Peter Zaleswki, presidente da consultoria imobiliária Condo Vultures. A dúvida de Zalewski é: “Eles vão vender ao mesmo tempo?” Isso derrubaria os preços, podendo reverter a revitalização da área.

As vendas de condomínios fechados começaram a aumentar depois que os proprietários iniciaram a redução dos preços há cerca de dois anos, às vezes em 50% ou mais. Isso atraiu hordas de compradores internacionais, incluindo muitos da América Latina, que sempre pagam em dinheiro. Zalewski divide os latino-americanos em dois grupos: aqueles que querem ter um pé nos EUA por causa de instabilidades em casa, como os venezuelanos e os mexicanos, e aqueles que estão se beneficiando da riqueza recente e moedas fortes, como os brasileiros. “Em cada quatro clientes, um é brasileiro”, diz Rafael Gonzalez, vendedor associado da corretora imobiliária Fortune International.

Menos de 4 mil de um total de 22 mil unidades construídas desde 2003 ainda não foram vendidas, segundo a Condo Vultures. No Icon Brickell, um luxuoso complexo de três torres que para muitos simboliza o auge do frenesi especulativo, mais de 80% das unidades foram vendidas, segundo a Fortune International. No último ano, os preços dos novos condomínios no centro da cidade começaram a aumentar, de US$ 298 o pé quadrado (0,093 metro quadrado) em 2009 para US$ 304 em 2010.

Moradores afirmam que o centro de Miami está mais agitado do que nunca. Quando Geru Fischman mudou-se para a área há três anos, a vida noturna não oferecia muitas opções. Agora, Fischman, de 28 anos, possui várias, isso a uma caminhada de distância, como o restaurante Bistro Moderne, o novo posto em Miami do famoso chef Daniel Boulud. Em breve, ela terá do outro lado da rua onde mora um cinema de luxo.

Com a chegada de profissionais e famílias, o clima da área mudou. O Bayfront Park, no Central Business District (CDB), hoje oferece aulas gratuitas de yoga três vezes por semana. Pais empurrando carrinhos de bebês são uma visão comum. Os recém-chegados estão encorajando a abertura de novos negócios (38 em 2010, segundo a Downtown Development Authority). Outros 27 estão sendo planejados para este ano.

Muitos estabelecimentos mudaram seu mix de mercadorias para atrair uma clientela mais jovem e abastada. Na La Epoca, uma loja de departamentos do CBD, que antes oferecia calças Levi’s, agora ostenta jeans e camisas das marcas Diesel e Hugo Boss. “As vendas continuam crescendo a cada ano”, afirma o proprietário Tony Alonso. O centro de Miami ainda tem o que percorrer, especialmente o CBD, que continua cheio de fachadas de aspecto negligente. “Ele continua meio que um buraco”, diz Tony Goldman, um incorporador imobiliário. “Ele poderá se transformar num oásis fabulosos”.

Funcionários da Development Authority estão trabalhando em um plano para o distrito. Recentemente eles ajudaram a organizar um encontro de líderes empresariais no CBD para uma apresentação de Goldman, que esboçou seus pontos de vista para um bairro amigável aos pedestres e centrado em seus prédios históricos.

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