Imóveis são vistos como forma de consolidar patrimônio, dizem especialistas

Fonte: InfoMoney
08 de junho de 2011 • 18h00
Por: Diego Lazzaris Borges

 

SÃO PAULO – O brasileiro vê nos imóveis uma boa opção de reserva de valor para o longo prazo e aposta na valorização do bem, assim como no recebimento de aluguéis, como uma forma conservadora e segura de consolidação de patrimônio. 

A opinião é do economista-chefe do Secovi-SP, Celso Petrucci. “Nós temos percebido, principalmente a partir de 2007 e 2008, a volta de pessoas que acreditam no imóvel como reserva de valor. Não são especuladores, são pessoas que compram pensando no longo prazo, em alugar, que querem ter o imóvel no patrimônio”, afirma o economista.

Opção segura
De acordo com o vice-presidente do Ibef (Instituto Brasileiro de Executivos de Finanças), Luiz Roberto Calado, o imóvel é bem visto pela população porque é um bem tangível, ou seja, diferente de outros tipos de investimentos, ele é um bem físico. “Você vê este imóvel, você consegue tocar nele. No limite, se tudo der errado, se os investimentos perderem todo o seu valor, você tem um lugar para morar”, afirma o executivo.

Segundo ele, a evolução de preços dos imóveis costuma ter muitos altos e baixos e, mesmo na baixa, as pessoas continuam acreditando que eles são uma opção segura de investimento.

Isto explica o resultado de uma pesquisa feita nos Estados Unidos, que apontou que para grande parte da população, mesmo com a crise envolvendo o mercado imobiliário em 2008, os imóveis são a melhor opção para investimentos de longo prazo. “Os imóveis sempre são vistos como uma opção segura”, ressalta Calado.

Investimento ou necessidade
Entretanto, segundo o executivo, nem todos que compram imóveis estão pensando em fazer um investimento. “Apesar de saber que, no futuro, este imóvel pode se valorizar e ser um bom negócio do ponto de vista financeiro, não são todos que compram visando investir. Isto acontece geralmente a partir do segundo ou terceiro imóvel. O primeiro, geralmente, é necessidade”, ressalta.

O economista-chefe do Secovi-SP concorda. “Grande parte da expansão do mercado imobiliário nos últimos 5 anos se deu por conta da primeira aquisição de imóveis”, aponta Petrucci.

Avanço dos preços
Nos últimos anos, os preços dos imóveis dispararam nas principais capitais do País. Segundo o índice FIPE Zap, produzido em parceria entre a Fipe (Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas) e a Zap Imóveis, nos últimos 12 meses os imóveis se valorizaram, em média, 27% na cidade de São Paulo. Já nos últimos 3 anos, o preço médio dos imóveis na capital paulista teve um aumento de 85,5%.

Para Calado, o aumento no preço dos imóveis nos últimos anos foi um pouco abrupto. “Causa até uma certa estranheza um avanço tão forte neste curto espaço de tempo”, afirma. Para o executivo, é difícil que os preços continuem nesta trajetória ascendente por muito mais tempo. “O mercado é cíclico e uma hora ele deve cair”, acredita.

Segundo o economista do Secovi-SP, 2009 e 2010 foram anos de forte recuperação dos preços. Entretanto, para este ano, a expectativa é de uma uma valorização mais conservadora. “Esperamos uma valorização mais próxima do crescimento do PIB (Produto Interno Bruto), algo entre 5 a 10%. Não acreditamos mais que aconteça um aumento tão forte dos preços”, finaliza Petrucci.

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