Kallas terá megaprojeto no centro de São Paulo

Fonte: Daniela D’Ambrosio
Valor Econômico,10/jun/2011

 

Companhia construirá hotel, shopping, comercial e residencial

Um dos últimos vazios encravados no centro de São Paulo – um terreno de 12 mil metros quadrados na esquina da avenida Tiradentes com o tradicional endereço das noivas, a rua São Caetano – foi disputado por várias construtoras, inclusive as de capital aberto. Quem conseguiu arrematar o cobiçado espaço foi a construtora Kallas, menos conhecida que a maioria dos concorrentes. Emílio Kallas, que abriu seu negócio há 25 ano, era amigo do dono do terreno.

Bem relacionado e com uma equipe com bastante tempo de casa – a maioria dos diretores têm entre 10 e 20 anos de casa – Kallas, que fundou a empresa há 25 anos, tem fisgado algumas boas oportunidades no mercado imobiliário. Mas é esse projeto, o maior da história da empresa em valor geral de vendas (R$ 400 milhões), que deve alçá-la a novo patamar.

De posse do terreno – pago à vista – ousou no projeto. Vai usar o conceito de empreendimentos mistos e colocar naquele endereço um shopping, um hotel, um edifício comercial, residencial com apartamentos compactos e edifício-garagem, com cerca de mil vagas. Kallas acredita que ainda deva levar cerca de seis meses para que saia o registro de incorporação. “Temos percebido muita boa vontade por parte dos órgãos públicos com esse empreendimento”, diz.

O projeto ainda está em fase de concepção e pode sofrer algumas alterações, mas os comerciais devem ter de 30 m2 a 700 m2. O shopping terá 10 mil m2 de área bruta locável. E o hotel não deve ser econômico. Kallas diz que ainda está conversando com as possíveis bandeiras, mas não pode negociar espaços, apesar da grande procura. O projeto fica em frente à Pinacoteca do Estado e próximo da Sala São Paulo. Agora, como dono do projeto, encampou o discurso pró-centro. “Quando viajamos, valorizamos tanto o centro das cidades, precisamos revitalizar o nosso.”

A Kallas não abriu capital e está sem um sócio investidor – os dois caminhos que as companhias de maior porte procuraram para se capitalizar. Durante quatro anos, até o ano passado, tinha como investidor o fundo Carval, da Cargill, que, segundo o empresário, desistiu de investir na América Latina. O fundo era sócio em 10 empreendimentos e a Kallas comprou a sua parte. Com isso, os lançamentos da companhia que estavam previstos para chegar a R$ 1 bilhão no ano passado ficaram em R$ 600 milhões. Para 2011, a previsão é ficar entre R$ 800 milhões e R$ 1 bilhão.

Sem sócio e sem o mercado de capitais para financiar sua expansão, a empresa fez a sua primeira emissão de debêntures – soltou a primeira tranche de R$ 70 milhões de um total de R$ 200 milhões, subscritas pelo Bradesco.

Com forte tradição no segmento econômico, a empresa atua na capital, interior e está com três projetos na Baixada Santista. Nos três últimos anos, teve expansão importante. Conforme balanço, saiu de R$ 144 milhões em vendas contratadas em 2008 para R$ 369 milhões, em 2010. A receita líquida saltou de R$ 75 milhões para R$ 305 milhões no mesmo período. O lucro saiu de R$ 18 milhões em 2008, passando a R$ 43 milhões em 2009 e R$ 112 milhões no ano passado. A margem líquida foi de 37%, comparável à Eztec e acima das outras abertas. “Ainda pensamos em abrir capital, mas o mercado precisa melhorar”, diz Kallas.

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