Outro olhar

Fonte: Folha de São Paulo, Janela, 11/set
 

A divulgação de alguns indicadores da construção e do segmento imobiliário podem ter passado a impressão de que a atividade do setor perdeu força, o que não é verdadeiro. Por exemplo, o IBGE anunciou no início de setembro que o PIB da construção cresceu apenas 0,5% no segundo trimestre do ano, comparado com o primeiro.

Ocorre que o IBGE, em seus levantamentos trimestrais, toma como régua provisória a variação da produção física de materiais, para medir o desempenho de toda a construção.

No primeiro semestre, a produção de materiais cresceu 3,6%, muito menos que a comercialização desses insumos, que apresentou uma expansão de 12,5%. A explicação para tal diferença está no aumento do consumo de materiais importados.

Um retrato mais fiel do desempenho da atividade da construção está no consumo de cimento, que cresceu 7,3% no semestre. É mais fiel porque cimento não se estoca (é perecível) e normalmente a totalidade do que se consome vem da produção nacional.

Outro exemplo de leitura apressada de dados ocorreu na divulgação de que o segmento imobiliário havia registrado queda de 31% no número de apartamentos novos vendidos no município de São Paulo.

Não se trata de negar a queda, mas de dimensioná-la corretamente. Acontece que o percentual foi estabelecido em comparação com o primeiro semestre de 2010, quando muitas famílias que em 2009 haviam postergado a decisão de compra de imóvel por conta da crise financeira internacional se decidiram favoravelmente pela aquisição. Isso elevou significativamente o patamar do volume de vendas do ano passado.

O dado positivo, sobre o qual houve pouca ênfase, foi o do incremento de 3% no número de lançamentos imobiliários no primeiro semestre de 2011, no município de São Paulo. Isso se refletirá positivamente em mais obras.

O principal indicador da atividade da construção brasileira é o nível de emprego, que evolui conforme o volume de obras. No primeiro semestre, o emprego no setor aumentou em cerca de 10%. Outro dado significativo: no mesmo período, registrou-se um aumento de 55% no volume de crédito da Caderneta de Poupança destinado ao financiamento habitacional.

Com praticamente a totalidade das obras para 2011 já contratadas, a construção deverá crescer ao redor de 5% neste ano. Será um dos setores que garantirá o crescimento do PIB brasileiro, mesmo com as últimas projeções de que ele será menor do que o previsto no início do ano.

Para 2012, boa parte da produção imobiliária também está contratada. O Programa Minha Casa, Minha Vida deverá completar as obras da fase 1 e iniciar as da fase 2. Uma eventual redução das obras de infraestrutura por conta da redução dos investimentos federais deve ser contrabalançada por mais obras estaduais e municipais. Só faltam 13 meses para as próximas eleições.

 

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