Sobram compradores para alto padrão

Fonte: Valor EconômicoValor-Economico
Por Rosangela Capozoli

O mercado de apartamentos e casas de alto luxo no país só não cresce mais porque faltam terrenos para construí-los. Compradores têm de sobra. Mais da metade dos milionários brasileiros têm, entre seus sonhos, comprar outro imóvel de luxo, num mercado que deve movimentar R$ 4,6 bilhões nos próximos cinco anos, segundo números do setor.

A pouca oferta nesse cenário exclusivo se explica pela carência de áreas consideradas privilegiadas nos centros mais ricos. Mais do que o tamanho das peças e o requinte no acabamento, o que está sendo valorizado é a localização, o que também vem elevando os preços dos imóveis usados com esse perfil.

Engana-se, porém, quem imagina que esses imóveis, por serem de alto padrão, têm sempre que dispor de espaços de sobra. Jovens executivos e empresários estão à procura de apartamentos compactos de alto padrão. Na média, esses empreendimentos têm de 30 m2 a 55 m2 – são os chamados estúdios de luxo, livres de paredes internas. Para essa nova clientela, o importante é que esses espaços compactos venham acompanhado de um amplo leque de serviços que vão desde arrumação básica e estacionamento com manobrista, até posto de recarga para carros elétricos, “concierge” e secretária trilíngue. Preço do metro quadrado e localização são as duas exigências para validar o carimbo de luxo.

Isso não significa que as casas e apartamentos de luxo com ampla metragem deixaram de ser cobiçados. Ao contrário, a demanda está aquecida e faltam produtos nesses formatos que ofereçam boa localização e conforto.

Pesquisa feita pelo banco europeu Haliwell Financial Group, especializado em gestão de fortunas, aponta que o mercado imobiliário brasileiro de altíssimo padrão tem potencial para gerar R$ 4,6 bilhões em negócios nos próximos cinco anos. O estudo teve foco em imóveis cujos preços variam entre R$ 1 milhão e R$ 50 milhões. Entre os anos de 2003 a 2010, o número de brasileiros com mais de US$ 1 milhão em ativos e dinheiro, excluindo o imóvel em que residem, e até dois automóveis, cresceu 72%, somando 138 mil pessoas.

O levantamento detectou ainda que está nos planos de 54% desses potenciais consumidores adquirir um novo imóvel residencial de luxo nos próximos cinco anos. Esses compradores estão concentrados no Estado de São Paulo. Outro dado levantado pelo estudo é que cerca de 80% deles financiam as compras.

Os imóveis de luxo se diferenciam por reunir uma série de quesitos que vão desde a personalização do projeto a técnicas de construção sustentável, sistemas de aquecimento solar, elevador codificado, iluminação, monitoramento remotos entre outros itens. Tudo isso a incorporadora pode resolver, menos conseguir o terreno ideal.

“A grande dificuldade que as incorporadoras têm é encontrar áreas adequadas para construir. Nos lugares nobres em São Paulo, como Jardins, Itaim e Vila Nova Conceição, não há mais áreas disponíveis. Os lançamentos de alto padrão no ano passado foram restritos a alguns pontuais”, afirma Andre Souyoltgis, diretor comercial da Coelho da Fonseca.

Na sua concepção, imóvel de luxo significa área de 350 a 450 m2 ou mais. “A qualidade do acabamento da construtora é muito visada, porém, mais que tudo isso, o endereço é de suma importância”, acrescenta. Na falta de lançamentos com esse perfil, é natural que as casas e apartamentos usados assistam a uma elevação exorbitante de preços. “O está acontecendo é que o mercado de luxo oferece na sua totalidade imóveis usados e metro quadrado entre R$ 20 mil a R$ 30 mil. Alguns proprietários, em São Paulo, já pedem R$ 50 mil pelo metro quadrado”, informa.

A velocidade com a qual esses empreendimentos se valorizam causa espanto ao próprio mercado. “Um empreendimento, como o Parque Cidade Jardim, do outro lado da Marginal Pinheiros, em sete anos valorizou em 300%”, diz.

A própria Coelho da Fonseca intermediou uma venda, na virada deste ano, de uma casa no valor de R$ 44 milhões, com uma área de dois mil m2 e área construída na mesma metragem no Jardim América, em São Paulo. Segundo Souyoltgis, os interessados em fechar negócio nesse mercado são em geral empresários ou altos executivos, além dos profissionais da área financeira.

Para Sérgio Freire, presidente da Brasil Brokers, o mercado de luxo não está ligado a metragem do imóvel. “Prédio de luxo nada mais é que o valor de metro quadrado e localização. Carimbar um imóvel de luxo por um valor por metro quadrado específico nominal é um erro, porque os mercados são muito diferentes. Há uma variação forte de preço, dependendo da região do país. Tudo depende da localização e mercado onde o imóvel está inserido”, diz. Um estúdio de 80 m2 pode custar até R$ 10 milhões, diz.

A Brokers não tem do que reclamar. “No primeiro trimestre de 2012 as vendas na área de luxo representaram 17% das vendas totais da empresa, sendo que nesse mesmo período de 2013 passou para 23%. Há três anos esse percentual era de 9%”, diz. Nos imóveis usados o índice subiu ainda mais. “A taxa de participação no faturamento global passou de 34% para 47% no período em análise”, conta. Indagado sobre formas de pagamento Freire conta que o percentual financiado é ainda baixo. “A compra é a vista. Esses imóveis são vendidos com muita rapidez. As ofertas são restritas e o Brasil é um país que mais milionário faz por dia”, diz.

O mercado do luxo se espalha por várias regiões do país, mas cerca de 70% das vendas de imóveis de alto padrão da Lopes Consultoria estão concentradas em São Paulo, Rio de Janeiro e Minas Gerais. Em São Paulo, as praças analisadas somam o maior volume lançado no segmento – 47% do valor geral de vendas – ultrapassando R$ 3 bilhões, totalizando 53 projetos, 1.332 unidades a preço médio de R$ 9.770 o metro quadrado. A Grande Rio, que possui um dos metros quadrados mais valorizados do país, somou em 2012 quase um quinto do volume neste segmento. Grande Belo Horizonte, em Minas Gerais, é a terceira maior praça em lançamentos do segmento luxo com 8% do valor geral de vendas somando 16 projetos.

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Uma resposta em “Sobram compradores para alto padrão

  1. Sidnei Rodrigues,bom dia!
    Em partes concordo com seu relato,mas em outras não tenho total concordância porque;O mercado até ha terrenos bons e em locais de alto e médio padrão,o grande problema que tenho encontrado é discordância de Proprietários e compradores,A Incorp.& Construt. querem colocar preço no imóvel de outrem,querem pagar valores que acham que valem (estipular preço na propriedade de outros) e por sua vez o proprietário na maioria esta atualizado em valores,e causa toda esta discordância,em resumo; o mercado todo é afetado
    este é o meu ponto de ver..

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