Três visões sobre o amor – Prof. Clovis de Barros Filho

Itesn que fazem1O professor Clóvis propôs uma espécie de desconstrução das teorias de gestão mais disseminadas e sugeriu o amor como condição fundamental para o sucesso de uma equipe.

“Quando aquele que manifesta sua fragilidade não é empurrado pra baixo, mas é sustentado por quem está do lado, eis aí a condição de um coletivo feliz e vitorioso, que conseguirá o que quer, não com foco no resultado, mas com foco no amor, desta vez.”

De frente para um auditório lotado e com seu inconfundível estilo vigoroso e bem-humorado, ele recorreu a três concepções filosóficas clássicas de amor:

  1. Eros, de Platão,
  2. Philia, de Aristóteles,
  3. Ágape, de Cristo.

Antes, porém, destacou que o amor é sentimento e se impõe às pessoas, não tendo ligação com a moral, que é uma atividade inteligente do homem.

A moral é a imitação mais perfeita do amor. O problema é que o amor é instável. Amamos pouca gente e temos que conviver com muitas. Por isso a ética é tão importante. É o substitutivo do amor quando o amor nunca existiu ou deixou de existir.”

O amor de Platão, o pai da filosofia, é Eros e se baseia no desejo pelo que não se tem, numa espécie de “equação macabra” que faz a vida oscilar entre a frustração de amar e desejar o que não se tem ou o enfado de ter o que não se ama mais.

Amamos enquanto desejamos. A má notícia é que quando o desejo acaba é porque o amor acabou também, porque amor é desejo, é falta.”

Por essa lógica platônica, o amor pelo trabalho seria sempre no desemprego. Quem está desempregado deseja trabalhar, se esforça e sonha com isso. Quando finalmente consegue o emprego e fica com “trabalho até as tampas”, passa a desejar a folga e as férias.

O amor de Platão não é um amor feliz”, ironizou.

Mas a relação do amor platônico com a empresa vai além do vínculo trabalhista. Todo começo de ano a companhia faz seu plano de metas, que é o que almeja conquistar, a fatia de mercado que ainda é do concorrente. “A maior prova disso é que quando as metas são alcançadas, liga-se o ‘Powerpoint’ e, imediatamente, novas metas são propostas.

É preciso renovar o desejo, renovar a falta para alimentar o Eros. O Eros de Platão é o ‘sangue no olho’ e a ‘faca nos dentes’ do jargão de RH, é a mesma coisa.

O mundo das empresas é uma homenagem a Platão.”

Já Aristóteles, o pai da ciência, recorreu à palavra Philia, para sua definição de amor, marcado pela presença.

“É o amor pelo encontro, pelas pessoas que já estão ao seu lado, pelos filhos que você já tem e não os que você gostaria de ter, pelo emprego que já é o seu e não aquele que você sonha. O amor de Aristóteles é o amor pelo mundo, quando o mundo faz bem. Não é desejo, é alegria, ganho de potência e de energia vital diante de um mundo que já é o nosso.”

“O amor de Aristóteles é bem mais raro no mundo das empresas”.

“A expressão happy hour não dá margem para dúvidas. Happy hour é sempre fora do local de trabalho, como se trabalho e felicidade fossem incompatíveis, como se o amor de Aristóteles estivesse completamente ausente do mundo do trabalho. Como se Philia fosse reduzida ao final de semana ou às férias.”

Para o professor Clóvis, esse é o grande desafio da empresa.

Ela tem que permitir que o amor de Platão possa se converter em amor de Aristóteles, para que cada colaborador possa voltar na segunda, não enxergando a felicidade para cinco dias depois, mas alegre e encantado com a realidade que já é a sua, com os colegas que já são os seus. A possibilidade de ser feliz no trabalho é incompatível com expressões tão abundantemente repetidas como sair da zona de conforto.

É fundamental que possamos nos sentir bem, até para produzir melhor.”

Mas há ainda uma terceira idéia filosófica, o amor de Cristo.

Ágape não é Eros porque não é desejo de quem ama, nem é Philia porque não se limita à alegria de quem ama”.

Tanto no desejo quanto na alegria o que importa é quem ama.

Com Ágape é diferente:

“O que importa no amor Ágape não é o desejo ou a alegria de quem ama, mas a alegria do amado”.

Por alguma estranha razão, no amor Ágape, você que ama recua para que o amado avance. No amor Ágape, o outro comanda o espetáculo, o amado é o centro de gravidade do afeto.

É o exemplo do amor dos pais pelos filhos. Mas esse tipo de sentimento também pode estar ligado ao trabalho, mesmo que colocando em xeque o próprio bem-estar ou a segurança. “A alegria do meu aluno ao entender o que não tinha entendido importa demais pra mim. É amor Ágape no trabalho. E em qualquer atividade você pode encontrar.”

Em sua definição sobre uma vida boa, ele sentenciou:

Deseje demais o que quer eroticamente à moda de Platão, consiga se alegrar com aquilo que te faz bem no mundo e, finalmente, tire a tristeza de quem está do seu lado. Essa é uma experiência que faz bem não só a quem está do lado, mas certamente para você também.”

Prof. Clovis de Barros Filho

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6 respostas em “Três visões sobre o amor – Prof. Clovis de Barros Filho

  1. seria correto pensar que para alcansar o estágio do amor ágape teremos de vencer os 2 estágio anteriores, consideramos que a amor de cristo seria uma conquista moral? Compreendemos que o amor ágape é um pacote que exige uma certa promoção moral para suportá-lo

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    • seria correto pensar que para alcansar o estágio do amor ágape teriámos de vencer os 2 estágio anteriores, consideramos que a amor de cristo seria uma conquista moral? Compreendemos que o amor ágape é um pacote que exige uma certa promoção moral para suportá-lo

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      • Vi uma paleatra do Cortella na Dom Cabral igualzinha a esse texto. Plágio puro.
        Aliás, pesquisei o tema em Platão e Aristóteles e não encontrei essas analogias. Aristóteles, aliás, em sua filosofia , nem falem amor.
        Parem de enganar os inocentes sem formação no tema.

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